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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Operários da obra do Maracanã encerram greve

RIO (Reuters) - Depois de 4 dias em greve, os funcionários que trabalham nas obras de modernização do Maracanã para a Copa do Mundo de 2014 decidiram voltar ao trabalho nesta segunda-feira, informaram o sindicato dos trabalhadores do setor e o consórcio encarregado das obras.

Eles iniciaram a paralisação na semana passada depois que um operário se feriu no canteiro de obras ao tentar cortar um galão com resíduos metálicos e de combustível. A explosão do galão feriu o operário, que teve lesões no joelho e na perna.

Os operários iniciaram no mesmo dia do acidente uma greve para cobrar melhores condições de segurança e trabalho.

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada do Rio de Janeiro, o consórcio responsável pela obra, formado pelas construtoras Odebrecht, Andrade Gutierrez e Delta, aceitou boa parte das reivindicações envolvendo aumento de salário e benefícios. Uma comissão também foi criada para que haja negociações permanentes daqui para a frente.

"Tivemos muitas conversas e as negociações ficaram da seguinte forma: o plano de saúde será apenas para os operários, mas vai se estudar possibilidade de estendê-lo para as famílias também", disse à Reuters o diretor do sindicato, Romildo Vieira. "Vamos receber também R$ 160 de vale alimentação. Estamos satisfeitos, por isso voltamos ao trabalho hoje", acrescentou.

O consórcio afirmou que os termos do acordo seriam informados ao Tribunal Regional do Trabalho em audiência marcada para a manhã desta segunda-feira.

O estádio está sendo preparado para ser palco da Copa das Confederações em 2013 e será a sede da final do mundial de 2014.

"O prazo para finalizar a obra do Maracanã é dezembro do ano que vem. Os dias parados não vão atrasar a obra", disse Vieira, acrescentando que as empresas costumam trabalhar com uma folga de prazo e pessoal. "Se for necessário, vamos trabalhar mais horas", afirmou. Ele disse que o cronograma prevê a contratação de até 3 mil operários para a obra do Maracanã e, atualmente, cerca de 2 mil estão trabalhando em 3 turnos

As obras do Maracanã estão orçadas em quase 1 bilhão de reais, de acordo com o Governo do Rio de Janeiro.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)






quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Acidente de trabalho foi estopim para greve no Maracanã

Um acidente de trabalho nesta quarta-feira foi o estopim para cerca de 1.300 operários paralisarem as obras de remodelação do Estádio do Maracanã. A suspensão das atividades já se desenhava há dias e acabou se concretizando após o incidente.

Um operário não identificado sofreu ferimentos após a explosão de um barril que cortava. O recipiente utilizado para armazenamento de líquidos inflamáveis estava, em tese, vazio, mas estourou enquanto era partido com uma lixadeira.
O operário foi rapidamente socorrido por uma ambulância enviada ao local e passa bem. De qualquer forma, foi o bastante para deflagrar a insatisfação dos demais trabalhadores. Eles reclamam que não possuem plano de saúde, disponibilizado apenas para os encarregados da obra.
A paralisação começou logo após o almoço nesta quarta. Representantes do Consórcio Delta/Odebrecht/Andrade Gutierrez, responsável pela obra, voltarão ao Maracanã na quinta para retomarem as negociações. Antes, às 10h, os operários pretendem realizar uma manifestação.
Calças curtasOs operários do turno da tarde foram pegos de surpresa pela paralisação. Somente quando chegaram ao canteiro de obras é que tomaram conhecimento da situação. Todos aderiram à suspensão dos trabalhos.

Setor de saúde lidera em acidentes de trabalho

Ribeirão Preto - Ribeirão Preto, cidade do nordeste paulista (313 quilômetros da capital) registrou, nos cinco primeiros meses de 2011, uma média de 5,6 acidentes de trabalho por dia. No total, foram 843 casos. Os dados são do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest). Já na microrregião de Ribeirão, que engloba 19 cidades, foram 1.080 casos no mesmo período, o que eleva a média para 7,2 casos por dia.

O total, no entanto, é significativamente menor que em outras cidades de médio porte. Em Sorocaba, que possui quase os mesmos 600 mil habitantes, a média de acidentes em 2009 foi de quase dez por dia. Em Araraquara, que possui um terço da população de Ribeirão, foram 12 casos por dia, enquanto São José do Rio Preto, com quase 300 mil habitantes, teve média que se aproximou dos 20 casos por dia em 2010.Ainda segundo dados do Cerest, os profissionais de saúde figuram como campeões no ranking de vítimas, à frente de funcionários da construção civil, categoria que antes estava no topo. "Ainda falta conscientização para todas as pessoas envolvidas, tanto empregadores como trabalhadores, mas há melhoria", diz o procurador Henrique Correia, do MPT (Ministério Público do Trabalho) de Ribeirão. 


Ele diz que o número de acidentes tem caído na construção civil porque o MPT tem feito ações para conscientizar trabalhadores e empresários.É o caso da biomédica Helena Gomes, 29 anos. Ela, que trabalha em um laboratório de uma instituição pública, já teve que ser afastada ao queimar as mãos com nitrogênio líquido, que usa para congelar o material com qual trabalha. Na ocasião, houve falha nos equipamentos de segurança do laboratório e o afastamento ocorreu por uma semana. "Se o galão com o nitrogênio não apresentasse problema, o acidente não teria acontecido", comentou.Correia ressalta, no entanto, que a situação na cidade está melhorando, especialmente graças à conscientização das próprias empresas. "Graças a alguns Termos de Ajustamento de Conduta assinados pelo MPT e pelas empresas, podemos dizer que as condições de trabalho no setor têm melhorado significativamente", afirmou o especialista, em entrevista publicada na imprensa da cidade.Nos últimos dois anos, os profissionais de saúde foram as principais vítimas dos acidentes de trabalho. Nos primeiros 150 dias do ano, 95 auxiliares de enfermagem foram vítimas de acidentes, seguidos por 40 casos de profissionais que trabalham na linha de produção das fábricas e de 32 auxiliares de escritório. 


Segundo a coordenadora do Cerest Rosangela Murari Mondadori, essa nova situação exige ainda mais cuidado. "É preciso que o setor da saúde faça um trabalho sério de conscientização para evitar que os índices continuem a subir".Quanto à construção civil, tradicionalmente o setor econômico que mais gera acidentes, ela acredita que a diminuição dos acidentes aconteceu graças a uma maior consciência dos empreiteiros, que passaram, ao serem pressionados pelo Ministério Público, a fornecer mais equipamentos de proteção. "Mas a falta de equipamentos de segurança e o despreparo dos funcionários ainda são problemas que precisam ser vencidos", ressalta.Djalma Pereira da Silva, que é pedreiro, é mais um a integrar essas estatísticas. Ele trabalhava em uma obra da cidade quando caiu e trincou o osso da bacia. "Fiquei mais de dois meses afastado e felizmente pude voltar, embora não seja a mesma coisa", conta, ressaltando que, por trabalhar com registro em carteira, pôde contar com a ajuda do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).Também estão no topo da lista 31 técnicos em enfermagem, 29 vendedores, 28 trabalhadores de manutenção de serviços em prédios, 17 cozinheiros e 17 motoboys. "São acidentes sérios e que mostram, muitas vezes, como nem todas empresas estão preparadas para a situação", diz o especialista em Direito Trabalhista e Previdenciário Luis Augusto de Bruin, que também é representante da Bracol, empresa que fabrica equipamentos de proteção individual para o trabalhador.Bruin faz questão de ressaltar que muitas empresas ainda desconhecem uma nova lei, em vigor já há dois anos, que incentiva a prevenção de acidentes nas empresas.


 Ele informa que, hoje, as empresas que registram menos ocorrências têm um bônus que pode chegar a até 50% do seguro obrigatório sobre a folha de pagamento a ser pago. Para as empresas que registram muitas ocorrências, no entanto, o valor obrigatório pode ser ampliado em até 100%. "É uma forma de incentivar as empresas que se preocupam com o trabalhador", comenta o especialista, que ressalta que, em casos de empresas de médio porte, a economia com a redução do imposto supera a casa do milhão de reais por ano.Ainda segundo o especialista, o caminho para as empresas é o investimento em um programa de Medicina do Trabalho que seja eficiente. "Antes, era preciso que o trabalhador provasse que a doença que ele desenvolveu foi causada pelo trabalho. Hoje, a empresa é que precisa provar que ofereceu todas as condições para que o trabalhador não desenvolvesse nenhuma moléstia", comenta Bruin. "As empresas começam a perceber, lentamente, que investir na segurança e medicina do trabalho começa a fazer bem para o 
bolso", explica.
Fonte:http://www.dci.com.br/Setor-de-saude-lidera-em-acidentes-de-trabalho-8-387009.html